sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Devoções #1

Nick Cave.

Único e inconfundível.
Descobri Nick Cave graças a influências musicais familiares. Não me lembro se foi paixão à primeira audição, mas sei que me tem acompanhado desde muito cedo.
Comecei por devorar 'Murder Ballads', numa época em que ainda não conseguia descortinar todo o negrume, terror, tristeza e significado que transbordavam de cada faixa. E por isso este álbum foi-me acompanhando, à medida em que me ia embrenhando na mitologia e temática caveana.
Mas sem dúvida que o álbum que, definitivamente, me prendeu a este senhor e aos seus Bad Seeds foi 'The Boatman's Call'. Ainda hoje, o meu álbum favorito. De sempre. De todos.
Toda e cada uma das suas músicas tem um significado especial para mim e associo cada uma delas a um momento particular.
Todavia, há uma que terei obrigatoriamente de destacar.
'Far from me'
Para mim, 'A' música.
O casamento perfeito entre melodia, letra e a voz de Cave.
O choro do piano, a bater compassado da bateria, como o do coração despedaçado que a música retrata, o violino que oferece o tom dramático...
Mas, sobretudo, a letra.
Toda a tristeza, toda a desilusão que comporta.
Só a entendi em todo o seu esplendor depois de conhecer  "The secret life of a love song", narrado pelo próprio Nick Cave, e de conhecimento essencial para todos os que apreciem a obra deste mestre.
Aí sim, pude rever-me ainda mais nesta música. Porque a associo a uma época. Porque a associo a uma pessoa. Porque me identifico com a história. Porque me identifico com o tom melancólico. Porque aquelas são as palavras que gostava de um dia ter dito.

Far from me.

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